Tudo começou com uma adoção...

Um amigo e elemento desta equipa queria adotar um cão, mas por questões sentimentais, queria que fosse de uma determinada raça. Quando tentou obter essa informação - através da internet ou ligando para as instituições - não conseguiu.

Após algumas pesquisas verificamos que não havia nenhuma base de dados com todas as instituições e animais que cada uma poderia dar para adoção, e as que haviam não davam suporte ao dia a dia das instituições.

O nosso objetivo com esta aplicação é facilitar a gestão do dia a dia das instituições e criar uma base de dados (e pesquisa pública) com os animais que podem ser adotados, includindo as suas características, com o objectivo de aumentar e fomentar as adoções.

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Contributo para a promoção da saúde e do bem-estar animal em instituições de abrigo
por Cristiana Cerqueira, Médica Veterinária

A “Medicina de Abrigo” é uma área recente na Medicina Veterinária que integra conhecimentos médicos, higio-sanitários, ambientais e de gestão das populações animais mantidas em abrigos, com o objetivo de zelar pela saúde e bem-estar dos animais e das pessoas. Múltiplas razões socioeconómicas e culturais têm contribuído para um aumento da taxa de abandono de animais de companhia com o consequente incremento do número de animais que são diariamente acolhidos por instituições de abrigo e que aí permanecem durante períodos variáveis da sua vida enquanto aguardam adoção. Esta dinâmica de entradas e saídas de animais tende a criar cenários de elevada densidade animal que aumentam o risco de transmissão de doenças infeciosas e parasitárias, algumas das quais zoonoses. No presente estudo investigou-se a influência que características como a espécie animal, a raça e a idade exercem na escolha do animal no ato de adoção e consequentemente na duração da estadia no abrigo. 101 cães e 31 gatos adotados em 3 instituições de acolhimento animal foram acompanhados até 1 mês após a adoção. Durante o período de estudo 54,5% dos cães e 93,6% dos gatos exibiram sinais clínicos compatíveis com doença infeciosa ou parasitária. A probabilidade de cães e gatos até aos 12 meses de idade morrerem é 3 vezes superior relativamente a animais de idade >12 meses (OR=3,29; IC95%: 1,00< OR <10,87). Nos cães investigados a vacinação revelou-se um fator proteção capaz de reduzir até 20 vezes a probabilidade de aparecimento de sinais clínicos (OR=0,05; IC95%: 0,001< OR <0,35) e 33 vezes a probabilidade de morte (OR=0,03; IC95%: 0,004< OR <0,14). A eficácia da vacinação está associada à idade no momento da primovacinação: vacinar cachorros a partir das 8 semanas de idade reduziu 4 vezes a probabilidade de ocorrência de sinais clínicos (OR=3,79; IC95%: 1,29< OR <12,75). Problemas de índole comportamental, como fobias, falta de hábitos de higiene e agressividade com pessoas e/ou animais observaram-se em 27,8% dos cães e em 12,9% dos gatos adotados. Finalmente, e com base nos resultados obtidos, são propostas linhas orientadoras de um Programa de Sanidade e Bem-estar Animal, adaptado aos condicionalismos logísticos e à missão dos Abrigos.

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Equipa Técnica
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Cristiana Cerqueira
Médica Veterinária
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